Londres: Shoreditch

Se eu tivesse passado mais tempo em Londres, eu teria dado um jeito de me mudar para Shoreditch, o meu bairro favorito na capital inglesa. Sim, o meu bairro favorito já foi o reduto do Jack, o Estripador. Mas muito diferente daquela época, hoje Shoreditch é uma região extremamente descolada.

Vamos começar com um domingo de manhã no Sunday Upmarket, na famosa rua Brick Lane. O Upmarket é uma feira ao ar livre que acontece todo domingo, das 10h da manhã às 5h da tarde. É ótimo para quem procura arte de rua, acessórios, roupas diferentes, muita música e comida.

Ainda na Brick Lane: se você tem fome para experimentar tudo o que essa rua pode oferecer, eu te indico o Cereal Killer Cafe, que fica na 139 Brick Ln. Dois irmãos tiveram a brilhante ideia de montar um café em que você escolhe – entre milhões – um tipo de ceral, toppings e até o tipo de leite que você quer. Eu achei essa loucura deles incrível e amava tomar café da manhã por lá.

A minha primeira comemoração com 21 anos

A minha primeira comemoração com 21 anos

Ali pertinho, ainda no quesito compras, fica o BoxPark, cheio de lojinhas interessantes. Um pouco mais caras e conceituais, mas vale a pena conferir. O BoxPark fica na Shoreditch High St., bem ao lado da estação de metro com o mesmo nome. Por ali também sempre rola um jardinzinho com muita música e comida.

Reprodução: site BoxPark

Reprodução: site BoxPark

Outro lugar que eu amava visitar em Shoreditch é o Spitalfields Market. Mais um lugar para você conhecer os artistas locais: assim como a feirinha da Brick Lane, o Spitalfields conta com muita arte, acessórios e moda.

Reprodução: site Officially London

Reprodução: site Officially London

Para não transformar esse passeio em compras, vamos ao cinema. Se você tem tempo e, assim como eu, gosta de pensar que está em casa quando vai ao cinema, visite o Electric Cinema.

O Electric Cinema de Shoreditch fica na Aubin & Wills Store, 64-66 Redchurch St

O Electric Cinema de Shoreditch fica na Aubin & Wills Store, 64-66 Redchurch St

Confesso que, por estar em libras, o preço fica um pouco salgado. Mas se você tem uma sobrinha e gosta de cinema, escolha um drink, sente na sua poltrona e aprecie seu filme embaixo do cobertor.

Eu não quero te encher de informação, então fico por aqui, mas é óbvio que Shoreditch tem muito mais a oferecer. Se você gosta de sair, já sabe que esse é o bairro ideal para ir a algum pub ou balada. Se você gosta de street art, já sabe que vai encontrar muita arte pelas ruas de Shoreditch. E se você gosta do Jack, já sabe também que tem um tour feito especialmente para ele – que eu fiquei morrendo de vontade de fazer. Tudo isso foi para dizer que Shoreditch é um lugar muito interessante e não pode faltar na sua lista de visitas em Londres.

Inglaterra: além de Londres

Se, assim como eu, você tem um tempo maior em Londres, aproveite para conhecer algumas cidades próximas. Por mais que a capital inglesa tenha muito a oferecer, dar uma esticadinha em outros lugares não vai te deixar no prejuízo – garanto!

A Inglaterra – ou seja, tirando Escócia e País de Gales – não é um país muito grande (130.395 km² comparados aos 8.515.767 km² brasileiros). No Google Maps mesmo, fiz outra comparação: a distância entre o extremo norte e o extremo sul da Inglaterra é de aproximadamente 880 quilômetros; enquanto isso, para ir do Oiapoque ao Chuí, em linha reta, é necessário percorrer 4.180 quilômetros. Esses números todos são para dizer que viajar entre cidades inglesas pode ser muito mais rápido do que você imagina.

Nesses dois meses, aproveitei para escolher quatro cidades e reservar um dia para cada uma delas:

Brighton

Eu queria conhecer as praias de pedrinhas, e escolhi Brighton para isso. Já tinha visto na internet que era uma cidade bem bonitinha; e me animei bastante. A cidade é maravilhosa (menos na chuva!!!) Dei um pouquinho de azar de escolher justo um dia em que choveu o tempo inteiro. Mas não me deixei abalar, e aproveitei o que podia da cidade.

Não deixem de visitar o píer! Lá você encontra várias barraquinhas de comidas, um cassino e vários jogos de fliperama

Não deixem de visitar o píer! Lá você encontra várias barraquinhas de comidas, um cassino e vários jogos de fliperama

Onde comer: antes da minha viagem, meu pai comentou sobre o restaurante sustentável Silo. Fui lá conferir e me apaixonei. Vale super a pena!

O restaurante, que também é uma padaria, fica na Upper Gardner Street 39, em Brighton

O restaurante, que também é uma padaria, fica na Upper Gardner Street 39, em Brighton

Chegando lá:
De trem (pelo site da National Rail) – £24,70; 1h30 de viagem
De ônibus (pela National Express) – £14,20; 2h20
*Fazendo uma estimativa!!!! Entre nos sites (existe mais de uma companhia de ônibus) e pesquise com calma. Uma dica: comece a procurar passagens com antecedência; a probabilidade de encontrar passagens baratas é muito muito maior!

Cambridge

A cidade dos colleges!! Sai de lá com a vontade de passar para algum curso em Cambridge e viver alguns anos por lá. É um lugar cheio de universitários e lugares bonitos para visitar.

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Chegando lá:
De trem – £21; 1h
De ônibus – £11; 2h

Guildford

Minha preferida!!! Adorei cada cantinho e estou morrendo de vontade de voltar para conhecer os parques que ficam em volta da cidade.

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Se você estiver procurando um lugar para tomar um sorvete na beira do rio, relaxar em algum banco de um parque ou para dar uma volta na tranquila rua principal, Guildford é o lugar.

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Chegando lá:
De trem – £16; 30min
De ônibus – £12,60; 1h

Stratford-upon-Avon

Gosta de Shakespeare? Essa é a cidade perfeita para você! O poeta e dramaturgo inglês passou os primeiros e últimos anos em Stratford-upon-Avon, cidade que agora é – praticamente – toda dedicada à ele. Stratford é cheia de museus em memória de Shakespeare, e também tem um teatro em que estão em cartaz várias de suas obras.

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A cidade é rápida de conhecer; em um dia é possível percorrer boa parte dela.

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Chegando lá:
De trem – £29; 2h
De ônibus – £11; 2h50

Foram só quatro, e deu vontade de conhecer muitas outras. Quero voltar para sair andando pelas cidadezinhas inglesas. É super gostoso, você conhece muito da história do país, e, de quebra, foge um pouco da correria da cidade grande.

Londres: um minuto em Kew

Londres me conquistou por ter uns cantinhos como Kew – o Jardim Botânico – no meio da cidade. Eu preciso de lugares em que eu possa fugir desse tanto de gente e do trânsito daqui.

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Palm House Parterre

O Kew é um jardim enorme e cheio de atrações – inclusive para crianças pequenas. Eu recomendo ir com tempo para aproveitar bastante; andar por todas as áreas mesmo. Quem não pode fazer muito esforço, mas quer conhecer o Kew mesmo assim, não se preocupe: eles têm o Kew Explorer, um trenzinho que para em sete pontos e dá a volta em todo o parque (custa 4,5 libras).

O Royal Botanic Gardens abre todos os dias às 10 da manhã. Mais informações no site deles.

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Treetop Walkway

Eu passei uma tarde em Kew, mas resumi minha experiência em um minuto (e um segundo):

Londres: uma linha, várias paradas

Adoro andar de ônibus em Londres por dois motivos: 1) acho que o metrô parece uma lata de sardinha, 2) é muito mais divertido sentar no segundo andar do ônibus para ficar observando o vai e vem dessa cidade que nunca para.

Nessa de pegar ônibus todos os dias, eu acabei me “apegando” a algumas linhas. O que eu gosto de fazer é tirar um dia para andar em só uma dessas rotas e ir parando nos meus pontos preferidos ao longo do caminho.

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Uma das minhas linhas preferidas é a 14, que faz o trajeto Warren Street – Putney Heath. Se eu pudesse, descia em todos os pontos. Esse é, literalmente, o meu Hop On Hop Off – particular – em Londres.

Vou tentar ser bem breve para não fazer um livro neste post, mas se preparem porque tem parada para o dia inteiro:

Gower Street/University College Hospital (N)
Esse ponto é a parada inicial – na direção de quem vai para Putney Heath – da linha 14. Só a parada de quem está voltando se chama Warren Street. Os nomes dos pontos que eu vou escrever aqui são na direção Putney, por isso, na volta, fique mais atento já que os nomes podem mudar.

Great Russel Street (R)
Se você gosta de um museu como eu, aqui é o lugar para descer pela primeira vez. Essa estação é na porta do British Museum, que tem um acervo que vai da Europa Bizantina aos Vickings; tem de tudo. O museu é gratuito e abre, diariamente, das 10h às 17h30.

Dean Street/Chinatown (W)
Eu adoro dar uma volta na Chinatown de Londres. Muita comida, música e lojinhas. Não dá para se arrepender de gastar umas horinhas por lá.

Old Bond Street/Royal Academy (G)
Mais uma parada para um museu – que também é uma escola. A Royal Academy of Arts sempre tem uma exposição interessante. Vale a pena conferir. A RA abre, diariamente, das 10h às 18h. Algumas exposições são pagas, e todas as informações estão no site.

Hyde Park Corner Station (N)
Sempre desço nessa estação porque o Hyde Park é um dos meu preferidos. E vou me arriscar a dizer que é um dos maiores e mais bonitos de Londres.

Knightsbridge Station/Harrods (KC)
Eu até pulei a estação da Piccadilly Circus, porque não queria falar de compras. Mas vale descer na Harrods só para dar uma voltinha na loja, sem compromisso.

Victoria & Albert Museum (N)
Esse museu só não é meu preferido porque existe a National Portrait Gallery. Mas, meu Deus, esse lugar é incrível!! Eu, se fosse você, não deixava de ir lá. O V&A abre, diariamente, das 10h às 17h45, e a entrada é gratuita.

South Kensington Station (L)
Um ótimo lugar para descer do ônibus e comer alguma coisa. Tem várias opções de restaurantes e cafés.

Chelsea Football Club (W)
Essa parada é para os fãs de futebol que querem dar uma conferida no Stanford Stadium, do time inglês Chelsea.

Putney Bridge Station/Gonville Street (FE)
A minha estação preferida! É só atravessar a rua e você entrará no Bishop’s Park. Esse parque tem várias quadras de esportes, parquinhos para as crianças, e jardins. E lá você também pode encontrar o Fulham Palace e seu jardim. Muitas opções para terminar o dia.

Fulham Palace

Fulham Palace

Minha dica para facilitar a sua vida com os ônibus daqui é baixar um aplicativo para celular. Mesmo que você não tenha internet fora do hotel, antes de sair você já pode conferir as melhores rotas. Existem vários aplicativos, mas o meu preferido é o Bus London.

Espero que lembrem de mim quando virem um 14 nas ruas de Londres!!

Inglaterra: posso jogar?

Eu fiz esse texto para uma das matérias que estou fazendo na City University. Decidi traduzir e colocar aqui, porque acho que tem relação com o que eu posto no blog. Apesar de não ser uma dica, espero que gostem!

Esperar o tempo passar – enquanto espera pelo próximo trem – em uma cidade que você nunca foi pode ser bem chato: ou você vai para um café roubar Wi-Fi ou você espera na estação e torce para não morrer de tédio. Mas é possível tornar essa situação mais interessante do que isso.

Eu estive na cidade de Guildford, em Sussex, alguns dias atrás. Após andar por toda a cidade, me vi sem nada mais para fazer até a hora de pegar o próximo trem de volta para Londres. Pensei em esperar na estação mesmo; Guildford é uma cidade pequena, e o tempo que tive foi o suficiente para ver – quase – tudo. Então onde mais eu poderia ir? Mas eu teria que esperar por mais uma hora, e eu percebi que seria uma perda de tempo apenas sentar e esperar na estação.

Decidi voltar a um jardim que havia visitado mais cedo. O tempo estava ótimo, e eu queria aproveitar o (raro) dia quente. No meio desse jardim havia uma área verde, retangular e muito bem cuidada, onde dois senhores jogavam algo estranho. Enquanto isso, uma senhora – parada do lado oposto dessa área – prestava bastante atenção no que os outros dois faziam. O que estava acontecendo? Eles podiam pisar naquela grama, por um acaso? (Em algum lugares por aqui não é permitido pisar na grama)

Para ilustrar: a visão do campo da minha

Para ilustrar: a visão do campo da minha “cadeira” durante a partida

Eu os vi jogar por 30 minutos; e eu não tinha noção do que estava acontecendo. Eles precisavam acertar a bola amarela com as bolas pretas para ganhar a partida? Não era isso; um dos senhores havia conseguido e o jogo continuou. Eles precisavam acertar as bolas pretas do oponente? Também não, ou aquele jogo seria bem estupido. Eu não preciso nem mencionar que eu não fazia ideia do nome daquele jogo.

Eles rolaram todas as bolas pretas e a partida terminou. A senhora – que eu imaginei ser uma espécie de árbitro – começou a medir, com uma fita métrica, a distância entre a bola amarela e duas bolas pretas, uma escolhida por cada jogador. Ela terminou sua tarefa, e pronto! Eles começaram a recolher as bolas; estavam se preparando para começar uma outra partida. O que aconteceu? Quem ganhou? Tentei ler seus rostos, mas suas expressões continuavam as mesmas. Quem não dava um sorriso depois de ganhar um jogo?

Os senhores jogaram mais três ou quatro partidas. No final, eles apertaram as mãos e deixaram o campo. E me deixaram lá, sem respostas. Mulheres também podiam jogar? Eu podia jogar? Ou eu precisava esperar até ter 60 anos? Sem ofensa!

Demorei um tempo – depois de algumas pesquisas estranhas no Google como: boliche sem pinos e jogando bolas na grama – até descobrir qual esporte eles estavam praticando: bowl! Graças a um artigo da BBC Sport chamado “Guia de Bowls para iniciantes”, eu aprendi algumas coisas interessantes. As bolas amarelas são chamadas de Jack; as bolas pretas são bowls e elas não rolam em linha reta, o que “dificulta bastante a estratégia do jogo”; existe um tapete e o jogador precisa colocar um pé sobre ele antes de rolar a bola; e você pontua ao posicionar um de seus bowls mais próximo do Jack do que os bowls do seu adversário. Claro que todos podem jogar. E o clima não importa; é possível jogar em uma quadra coberta durante o inverno. A Inglaterra até possui um site – muito bem estruturado – para os bowlers (quem pratica o esporte), com notícias, eventos, loja online.

Quando eu descubro algo sempre tento comparar com algo que temos no Brasil. Tentei fazer o mesmo dessa vez, mas não consegui lembrar de nenhum jogo semelhante (se alguém souber, me avisa nos comentários!). Pensei em bocha, mas a maioria de nós, brasileiros, não sabemos muito sobre esse esporte também.

No final do dia, depois de descobrir algumas coisas, fiquei feliz por não ter esperado meu trem na estação. Aprender algo novo sobre uma outra cultura foi o motivo dessa viagem! E, de bônus, eu tive um final de tarde agradável, jogando “charada” comigo mesma.

Para quem ficou curioso sobre bowls, aqui está um vídeo que achei na internet:

Esse esporte é bastante popular no Reino Unido e em outros países do Commonwealth.